Há um livro contemporâneo me levou a uma viagem no tempo por relembrar alguns antigos romances que li quando criança. Estranhamente escrito por um homem. A menina que não sabia ler de John Harding tem o clima delicioso de livros das irmãs Brontë: o romântico Jane Eyre de Charlotte Brontë e passional O morro dos ventos uivantes de Emily Brontë. Ambas são histórias muito densas, de clima intenso. Com Jane Eyre eu me sentia uma heroína, vencendo todas as adversidades, como se eu estivesso com ela no orfanato, com suas vestes negras e rígidas, enfrentando a crueldade de todos. Além disso, amei Jane porque ela era feia. Que alívio, uma história romântica e emocionante com uma protagonista feia! Uma esperança de que todas nós podemos ser protagonistas e não apenas as personagens loiras de olhos azuis e beleza estonteante (dá até preguiça ler descrições assim, né?) O tempestuoso Heathcliff do Morro dos ventos uivantes me fez sentir uma mistura de amor e tristeza inesquecíveis. Foi o primeiro livro em que precisei superar a decepção de iniciar uma história de amor já sabendo que ela estava destinada ao fracasso, vencer o desânimo e descobrir que valia a pena.
A Florence de John Harding se apresenta, a princípio, um pouco como essas heroínas do passado. Uma menina proibida de aprender a ler (pois mulher deveria apenas saber bordar e obedecer ao marido) e que apaixona-se perdidamente pela biblioteca repleta de livros na mansão de seu tio. Determinada, aprende sozinha a ler e torna-se uma devoradora obcessiva dos clássico, tendo prazer tanto na leitura quanto na companhia dos livros, deleitando-se com seu aroma, com a textura de páginas e capas de couro. Mas, de repente, a história de Florence dá uma reviravolta tornando-se um thriller emocionante onde nada é exatamente o que parece. Deliciosa mistura do clima dos velhos livros com o ritmo dos filmes atuais.
