Eu quero aprender a ler.

Eu tinha seis anos e uma única ambição: aprender a ler. Depois das histórias dos três cabritinhos e da onça Gabola, meus olhos ganharam o mundo e não parei mais, se tornou minha paixão, meu vício. E o melhor é que todos os dias, aprendo a ler. Há sempre a surpresa incrível de reler um livro que você já conhecia há anos e descobrir um texto totalmente novo, porque o livro muda quando você já não é mais o mesmo.







quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Eu sou Malala

Imperdível a jornada corajosa e quase ingênua da menina Malala, a paquistanesa que elevou sua voz contra o Talibã para defender o direito de estudo às meninas. A relação sublime com o pai é um deleite à parte. Malala recebeu o prêmio Nobel da Paz por sua luta que o Talibã tentou impedir com um tiro em sua cabeça, mas nada calou sua voz.
O livro tem curiosidades sobre a corrupção e confusões políticas no Paquistão que nos farão achar o Brasil um país ótimo!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014


Saco de Ossos

Fazia tempo que um livro não me fazia de refém. Saco de Ossos me amarrou na cadeira e me fez ficar sua escrava, só queria saber dele. Os outros dois livros que lia em paralelo ficaram suspensos, finalmente posso voltar a eles.
Primeiro, é Stephen King, o cara é bom no negócio de prender sua atenção e seu fôlego. Claro que não é O Iluminado (veja abaixo), mas é diversão da melhor qualidade, com uma trama bem elaborada e sedutora.
Segundo, tem um toque de Rebeca a Mulher Inesquecível, que é simplesmente delicioso. Em Saco de Ossos, a misteriosa mansão Manderley onde a Rebeca do outro livro morava, é homenageada através da mansão Sarah Laghs; uma casa no lago batizada em homenagem a uma antiga cantora negra dos anos 30. A mansão é assombrada e o espírito ali quer vingança contra muitos da cidade. O que eles terão feito para merecerem o destino de sempre matarem seus próprios filhos?
O protagonista é um escritor em luto pela esposa, que conhece uma linda viúva jovem e sua filha... Por um minuto achei que a coisa ia descambar para um romance meloso, mas estamos falando de King, e o romance só poderia acabar de um jeito, certo?
Enfim, Saco de Ossos é tipo brigadeiro de colher, pra se lambuzar mesmo.

O Iluminado

Bom, apenas para não passar em branco, esse não é só um livro de terror, é uma obra prima. Como senti medo lendo-o à noite, medo mesmo!
O hotel mal assombrado tem como hospedes apenas um casal e seu pequeno filhinho paranormal que vigiam as instalações fora da temporada. A neve vai enterrando o hotel por fora enquanto os fantasmas vão gelando o coração do pai do garotinho. Inesquecível a imagem das meninas gêmeas que chamam o menino para brincar com seus corpos despedaçados a machadadas.
Machadada também é o que torna a cena de perseguição final do livro uma das mais eletrizantes. E, para quem assistiu ao filme depois, é impossível esquecer Jack Nicholson empunhando o machado atrás da esposa e do filhinho. Inesquecível, preciso reler. Tá na minha “lista de livros pra reler” quando ficar velha.

E, só para dar um toque final, descubra o que é REDRUM!

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Trecho de Uma Breve História do Século XX, de Geoffrey Blainey

Deve ter sido um trabalho hercúleo espremer um século em um livro com apenas 296 páginas. Mas Blainey já havia feito uma peripécia ainda maior ao condensar a história do mundo em outro livro, então deve ter sido até fácil para ele.
Mas, vamos a uma descrição do livro feito num dos sites onde é vendido: "...você vai se surpreender com uma descrição vibrante e apaixonada dos cem anos mais fascinantes da história. As duas maiores guerras, a ascensão e queda dos regimes comunistas, o maior colapso econômico já vivido, o declínio das monarquias e dos grandes impérios da Europa - tudo isso com emoção e intensidade." Well... Sim, vale a pena de mais ler esse livro. Não, eu não vi toda essa emoção e intensidade. Aliás, tive duas decepções com este livro.
Ao discorrer sobre a 2ª Grande Guerra, há uma sequência gigantesca de citações das batalhas travadas por Hittler e pelos aliados ou opositores com data e local. Mas não há nem uma página inteira para descrever o Holocausto. A descrição, para mim, é fria como a visão que se tem da história como um amontoado de fatos, mas não o impacto destes no principal personagem: o ser humano.
A segunda decepção é que pensei que o autor finalmente faria justiça a Santos Dummont, pelo menos citando-o ao lado dos ridículos irmãos Whrigt que "planaram" suas máquinas (enquanto o brasileiro realmente voou).
Mesmo assim, não desanime; é uma ótima leitura para entender como surgiram ONU, OTAN, Israel e localizar melhor os grandes nomes em cada período do tempo. Entretanto, são inúmeros detalhes, muita coisa e muita gente aconteceram em cem anos, portanto dá uma visão geral. Já é mais do que eu tinha antes.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A insustentável leveza do ser

Li o livro na década de 80 e, logo em seguida, vi o filme. Lembro-me de ter adorado ambos, mas não me lembrava exatamente porque. Era uma história de traições amorosas e não posso imaginar como esse tema me encantaria, mas quando encontrei o livro jogado numa caixa de papelão na frente de uma banca de revistas, misturado entre outras promoções, as páginas retorcidas por uma chuva e custando apenas 5 reais, senti uma tristeza imensa. Levei o sofrido exemplar para casa e comecei a lê-lo de novo.
A cada página surpreendia-me que tivesse gostado daquele livro quando era tão jovem. A Insustentável Leveza do Ser é profundo demais, poético demais, cru demais para que eu realmente o tenha compreendido. Descobria pérolas a cada capítulo e me sentia filosofando. Foi um dos poucos livros que reli, depois de anos, e que me pareceu inédito. O rio não é mais o mesmo e muito menos sou eu a mesma a atravessá-lo.
Como a alma humana processa o amor, o medo da morte, o ódio aos pais, a mentira e a traição? Alguns vislumbres podem ser encontrados neste livro. Milan Kundera consegue desenhar todas as pessoas apenas com seus quatro personagens principais e um cachorro. Vale a pena completar a as imagens imaginadas com a visão dos atores no filme depois.