Tess Gerristesen foi comparada a Robin Cook porque, como
ele, ela também é uma médica que se tornou romancista de suspense. Chega a ser
mesmo surpreendente, alguém ter uma carreira tão grandiosa como a medicina, que
exige anos de estudo e mais a residência, enfim, uma carreira que mais se
parece com um chamado do destino; e mesmo assim, receber um outro chamado: o da
escrita. Parece excesso de talento para uma só alma, mas enfim, é o que
aconteceu com Gerristesen.
Tornei-me fã da série de suspense policial que possui uma
característica raríssima: os personagens principais são uma dupla de mulheres!
Sim, no mundo ainda primordialmente masculino das delegacias e afins, a
detetive Jane Rizzoli torna-se companheira da médica legista doutora Maura
Isles. Os livros deram origem ao infame seriado de TV Rizzoli & Isles,
mas tente não assistir, ao invés disso, leia os livros.
O primeiro que li foi O CIRURGIÃO, primoroso no quesito
suspense, mas Jane Rizzoli ainda aparecia com outro parceiro homem. Depois, li
A ÚLTIMA VÍTIMA, onde Maura já aparecia, mas percebi que estava fora de ordem
cronológica, pois a dupla já se conhecia de um livro anterior que eu não havia
lido, e se estranhavam um pouco. Em O CLUBE MEFISTO a parceria já está firmada
mas novamente incomoda a falta de sequência dos lançamentos da série no Brasil.
Cheguei então ao quarto livro: O PREDADOR, que achei um
título excelente e, pela primeira vez, melhor que o título original, DIE AGAIN.
Misturada à trama policial, que ocorre no presente, vai
sendo contada a história de um safari pago por um grupo de riquinhos metidos a
besta que querem vivenciar a “África de verdade”. Eles são guiados por um homem
que, apesar da origem europeia, viveu na África do Sul e se movimenta como um
felino e age de forma misteriosa. A cada noite, morre um dos participantes do
safari, criando um clima de pânico e desconfiança entre eles.
Esses acontecimentos têm relação com os crime que ocorrem no
presente, onde um felino do zoológico estraçalha uma cuidadora e o homem que
iria empalhar um tigre raro, também do mesmo zoo, é morto da mesma forma que os
animais que ele se gabava de caçar: pendurado pelos pés e tendo o ventre aberto
de fora a fora para deixar o sangue escorrer.
Um clima de caçada faz com que o leitor devore página por
página, e a abrutalhada Jane Rizzoli e sua fria colega Maura Isles precisam
usar toda inteligência para descobrir o assassino.
Como em todos os livros da série de Gerristesen, as vítimas
e assassinos não são mero pano de fundo, têm participação ativa e, muitas
vezes, definitiva no desenlace final. Aqui acontece o mesmo e, no fim, presa e
predador se enfrentam mais uma vez. Ótima diversão e uma saudável forma de
exercitar sua mente em juntar pistas pelo caminho.
Saio de férias em dois dias e levo na mala mais dois volumes da série para me divertir: O PECADOR e DUBLÊ DE CORPO. Vai rolar muito sangue na areia da minha praia, rsrsrs.



