Li o livro na década de 80 e, logo em seguida, vi o filme. Lembro-me de ter adorado ambos, mas não me lembrava exatamente porque. Era uma história de traições amorosas e não posso imaginar como esse tema me encantaria, mas quando encontrei o livro jogado numa caixa de papelão na frente de uma banca de revistas, misturado entre outras promoções, as páginas retorcidas por uma chuva e custando apenas 5 reais, senti uma tristeza imensa. Levei o sofrido exemplar para casa e comecei a lê-lo de novo.
A cada página surpreendia-me que tivesse gostado daquele livro quando era tão jovem. A Insustentável Leveza do Ser é profundo demais, poético demais, cru demais para que eu realmente o tenha compreendido. Descobria pérolas a cada capítulo e me sentia filosofando. Foi um dos poucos livros que reli, depois de anos, e que me pareceu inédito. O rio não é mais o mesmo e muito menos sou eu a mesma a atravessá-lo.
Como a alma humana processa o amor, o medo da morte, o ódio aos pais, a mentira e a traição? Alguns vislumbres podem ser encontrados neste livro. Milan Kundera consegue desenhar todas as pessoas apenas com seus quatro personagens principais e um cachorro. Vale a pena completar a as imagens imaginadas com a visão dos atores no filme depois.
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